Lésbicas e o perigo do HPV

Lésbicas e o perigo do HPV

Essa semana resolvi escrever sobre um tema não muito agradável mas, sem dúvida, importantíssimo: o HPV nas relações sexuais entre duas mulheres.

Depois de pensar um pouco sobre o tema, resolvi pesquisar na internet e não achei nada muito específico e explicativo. Geralmente as informações se destinam somente a relacionamentos heterossexuais ou são genéricas demais, por isso está na hora de ter um lugar que ofereça essas informações pra gente. Então vamos lá:
O HPV (ou Papilomavirus Humano) é uma família viral que abriga por volta de 100 subtipos de um tipo de vírus que é o responsável por causar uma doença sexualmente transmissível, também chamada de HPV.

Porque é importante falar disto?
Bem, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, essa é a DST mais comum no mundo (todo mundo pensa que esse posto é da AIDS), sendo que 8 em cada 10 mulheres já pegaram ou pegarão HPV em algum momento de suas vidas¹. Além desse número assustador, a informação e a prevenção se tornam ainda mais indispensáveis pelo fato de que 90% dos casos de câncer de colo de útero² são causados por esse vírus.

Além disso tudo, a transmissão do HPV ocorre por contato direto com a pele onde existem lesões ou, em menor número, por objetos de uso pessoal contaminados, como toalhas e roupas. Assim, é fácil pensar que a contaminação durante uma relação sexual pode ocorrer mesmo com o uso da camisinha ou do filme plástico. Explico: Se existir alguma lesão num local onde a camisinha não está protegendo, como, por exemplo, na virilha, já existe a chance da outra pessoa se contaminar quando atritar sua pele ali. E pra quem pensou “Você acha que eu não vou perceber que existe alguma verruga ou algo do tipo na cherry da minha parceira?”, eu digo que nem todos os subtipos virais causam essas verrugas e que elas podem ser micro lesões que nem você e nem ela irão perceber, mas que podem transmitir a doença. Nesse sentido, vale ressaltar que os subtipos causadores de câncer de colo de útero geralmente não são os mesmo que causam as verrugas.

 


E se você pensar nas posições que nós fazemos durante o sexo (como a famosa tesoura), existe sim um contato bem direto entre as cherries envolvidas, e nem sempre existe a proteção adequada. Além disso, o HPV pode ser contraído por meio do sexo oral e se alojar em várias partes da boca e da garganta, onde também pode causar câncer. A gente ainda pode adicionar à lista a penetração com as mãos, que apresenta grande risco – não só para HPV – quando existe algum tipo de machucado, corte ou arranhão nos dedos ou nas mãos, o que é muito comum se levarmos em conta o quanto utilizamos as mãos e que sempre arrumamos uns machucados que não sabemos como apareceram ou tiramos aquele bife fazendo as unhas.
 

 
 

O cuidado também é importante porque a doença pode ser silenciosa, não produzindo nenhum tipo de sinal ou sintoma na pessoa que está contaminada, fazendo com que ela não se trate e possa transmitir o vírus a outras pessoas.

A boa notícia para nós é que o câncer de colo de útero é o único tipo de câncer que pode ser prevenido, o que é feito com vacina contra HPV. Existem dois tipos de vacinas: a quadrivalente, que previne contra quatro subtipos de vírus, que são os responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero e 90% das verrugas genitais³; e a bivalente, que previne contra os dois principais subtipos causadores de câncer de colo de útero³. A má notícia é que a vacina não é aplicada gratuitamente nos postos de saúde do SUS e também não é barata, além de não proteger contra todos os subtipos do vírus. Ainda sobre a vacina, que sua ginecologista já deve ter recomendado, os preços são variáveis e ela é tomada em três doses e destinada principalmente para mulheres de 9 a 26 anos, apresentando eficiência de aproximadamente 5 anos.


Fonte: Sapatômica